La Gaceta De Mexico - Manifestantes acampados em Madri prometem manter pressão sobre Sánchez pela crise da moradia

Manifestantes acampados em Madri prometem manter pressão sobre Sánchez pela crise da moradia
Manifestantes acampados em Madri prometem manter pressão sobre Sánchez pela crise da moradia / foto: © AFP

Manifestantes acampados em Madri prometem manter pressão sobre Sánchez pela crise da moradia

Após duas noites acampados no centro de Madri, manifestantes contra a crise da moradia prometeram nesta segunda-feira (28) "continuar pressionando" o governo de Pedro Sánchez. Eles pedem uma nova lei que proteja as pessoas da escalada dos preços.

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O governo socialista de Sánchez recebe muitas críticas, inclusive de seus apoiadores, por não ter conseguido conter a alta dos preços de compra e aluguel dos imóveis. O Executivo pretende apresentar um novo decreto na terça-feira.

O texto, porém, não tem aprovação garantida no Parlamento, onde o governo não dispõe de maioria.

"Pedimos que seja publicado um decreto-lei, sobretudo para proteger o direito à moradia e evitar os despejos", explicou à AFP Carlota, manifestante de 29 anos que passou a noite entre cerca de cem barracas instaladas na turística praça Puerta del Sol.

A pintora descreve a situação na Espanha como "grave" e pede uma lei que evite "priorizar o capital e os fundos de investimento em detrimento das pessoas". Assim como sua amiga Violeta, ela dormiu cinco horas no acampamento formado por dezenas de ativistas e manifestantes, a maioria jovens.

O descontentamento com os altos preços da moradia está presente há anos na Espanha, mas a indignação explodiu na semana passada após o despejo de Maricarmen Abascal, moradora de Madri de 87 anos. Ela precisou deixar o apartamento onde vivia há 70 anos depois que uma empresa de investimentos comprou o imóvel.

A imagem de Maricarmen sendo retirada do apartamento em uma maca por agentes da Justiça na quarta-feira, enquanto numerosos manifestantes a apoiavam na rua, provocou uma onda de indignação na Espanha a menos de um ano das eleições legislativas de 2027.

- 'Não conseguimos chegar ao fim do mês' -

Os protestos acompanharam Sánchez até Barcelona, onde um grupo de manifestantes bloqueou parte da avenida Diagonal. O chefe do governo foi à cidade para uma cerimônia de premiação do jornal La Vanguardia.

Com cartazes que pediam "Decreto Maricarmen já" e palavras de ordem como "os investidores são os invasores", os participantes da marcha relataram as dificuldades para conseguir moradia.

Laura Requena, professora de 32 anos, afirmou que é impossível sair da casa dos pais sem dividir um apartamento.

"O que está acontecendo nos afeta porque não conseguimos chegar ao fim do mês tendo que pagar aluguel e dividindo apartamento aos 32 anos", disse.

Neus Llop, educadora de 37 anos, sente que nada lhe garante que "não vá parar na rua amanhã".

Sánchez afirmou no domingo que seu governo trabalhava "contra o relógio" para apresentar novas medidas na reunião do Conselho de Ministros de terça-feira.

- Turistas surpresos -

O acampamento em Madri começou no sábado na simbólica Puerta del Sol, ocupada em 2011 pelo movimento dos indignados, que protestava contra a austeridade e a corrupção após a crise de 2008.

Sob os olhares surpresos de turistas que registravam a cena com seus celulares, e sem presença policial, alguns ativistas distribuíam churros e sanduíches no café da manhã, sob um céu cinzento de início de outono.

"Nenhuma Maricarmen a mais", escreveram os manifestantes na praça, em referência à idosa, hospitalizada desde o despejo.

"Peço a todos coragem, que lutem, que defendam o que é de vocês", afirmou Maricarmen em um vídeo publicado durante a noite no X pelo Sindicato de Inquilinas e Inquilinos.

Em dez anos, o preço médio do metro quadrado para aluguel na Espanha dobrou e chegou a 15,1 euros (R$ 89,47), ou 17,2 dólares (R$ 89,67), em agosto, segundo o portal imobiliário Idealista.

Para compra, o preço médio agora é de 2.355 euros (R$ 13.954) por metro quadrado, ou 2.682 dólares (R$ 13.982), alta de mais de 50% no mesmo período, segundo dados oficiais. ptax.bcb.gov.br

"É preciso transmitir uma mensagem contundente", insistiu à AFP Miriam Bue, uma das porta-vozes do sindicato.

A arquiteta de 29 anos disse não esperar "nada" das autoridades da região de Madri, governada pelo conservador Partido Popular (PP) e responsável pela política habitacional. Ela espera, porém, que o governo central, de esquerda, aceite a proposta do sindicato de estabelecer contratos de aluguel por prazo indeterminado, em lugar dos contratos de cinco anos atualmente em vigor.

"Caso contrário, continuaremos intensificando" o movimento, advertiu.

D.Quate--LGdM