Cineasta iraniano Farhadi condena guerra no Oriente Médio e massacres de manifestantes
O diretor iraniano vencedor do Oscar Asghar Farhadi condenou nesta sexta-feira (15) tanto a morte de civis nos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra seu país quanto o "massacre" de manifestantes pela república islâmica.
Farhadi, que viajou de Teerã na semana passada, manteve uma postura delicada ao ser questionado sobre os acontecimentos em seu país, afetado pela guerra, durante o Festival de Cannes, onde apresenta seu filme mais recente em francês, "Parallel Tales" ("Histoires Parallèles" do original, ainda sem previsão de estreia no Brasil).
Ao se referir a dois "acontecimentos trágicos" deste ano, Farhadi mencionou "a morte de muitas pessoas inocentes, crianças e civis que morreram durante a guerra, durante o ataque que o Irã sofreu".
"E antes desta guerra também morreu um grande número de manifestantes, pessoas que foram às ruas protestar, igualmente inocentes, e que foram massacradas", acrescentou.
"Todo assassinato é um crime. Sob nenhum ponto de vista, nem com nenhuma justificativa, posso aceitar que se tire a vida de alguém, seja em uma guerra, uma execução ou no massacre de manifestantes", ressaltou.
O Irã está em guerra com Israel e Estados Unidos desde 28 de fevereiro, embora desde 8 de abril vigore um frágil cessar-fogo.
Desde o início do conflito, Teerã intensificou as execuções, especialmente em casos relacionados a suposta espionagem ou acusações de segurança nacional.
O Irã foi abalado por enormes protestos antigovernamentais que atingiram seu auge em janeiro.
O governo reconheceu mais de 3.000 mortes durante os protestos, mas atribuiu a violência a "atos terroristas" organizados pelos Estados Unidos e por Israel.
Grupos de direitos humanos e pesquisadores fora do Irã calculam que entre 7.000 e 35.000 pessoas morreram por disparos indiscriminados das forças de segurança.
Os cineastas no Irã enfrentam rígidas normas de censura e pressão constante das autoridades. Vários diretores de destaque, de Jafar Panahi - vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado - a Mohammad Rasulof, foram presos ou forçados ao exílio.
Farhadi ganhou dois Oscars de melhor filme internacional por "A Separação", em 2011, e "O Apartamento", em 2016.
"Parallel Tales", uma história sobre o voyeurismo e a arte em Paris - com um elenco francês de primeiro nível -, recebeu críticas decepcionantes após sua exibição em Cannes na quinta-feira.
A revista especializada Screen classificou o filme como "confuso e superficial", enquanto a Variety o descreveu como "estranhamente confuso".
X.A. Mendez--LGdM