Quem pode suceder Starmer no Partido Trabalhista britânico?
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, está em uma posição frágil, com integrantes de seu partido pedindo sua renúncia. Vários nomes aspiram sucedê-lo, tanto à direita, como Wes Streeting, quanto à esquerda, como Angela Rayner e Andy Burnham.
A crise se agravou, com uma chuva de críticas no Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro, após os péssimos resultados da legenda nas eleições locais e regionais de 7 de maio.
Nas eleições, o Partido Trabalhista perdeu quase 1.500 vereadores e viu um forte avanço do partido anti-imigração Reform UK.
Desde sua chegada ao poder, a popularidade de Starmer, 63 anos, não parou de cair, em um contexto de economia estagnada e aumento do custo de vida, agravado pela guerra no Oriente Médio.
Também não o ajudou o escândalo pela nomeação e posterior destituição de Peter Mandelson como embaixador britânico em Washington, após a revelação de seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
Apesar do cenário, Starmer, que chegou ao poder após as eleições legislativas de julho de 2024, disse em entrevista coletiva no início desta semana que deseja "seguir governando".
Uma eventual saída de Starmer obrigaria seu partido a nomear um sucessor.
Veja os principais candidatos a ocupar seu posto dentro do Partido Trabalhista:
- Wes Streeting -
Streeting, de 43 anos, da ala à direita do partido, apresentou na quinta-feira (14) sua renúncia ao cargo de ministro da Saúde por sua oposição a Starmer.
Mas, no anúncio de sua renúncia, ele não chegou a se declarar candidato, alimentando especulações sobre se será capaz de reunir os 81 deputados necessários para sustentar sua candidatura.
Para lançar uma eleição para suceder ao atual líder trabalhista, um candidato deve ser apoiado por 20% dos deputados do partido no Parlamento.
O Partido Trabalhista tem 403 dos 650 deputados na Câmara dos Comuns.
Representante de uma corrente reformista na linha de Tony Blair, primeiro-ministro de 1997 a 2007, Streeting é pouco popular em um partido onde a ala esquerda tem muito peso.
Streeting multiplicou as medidas para melhorar a reputação do NHS, o serviço nacional de saúde, afetado por listas de espera intermináveis e por médicos que regularmente entram em greve.
Mas Streeting pode ser afetado por seus vínculos com Mandelson.
O ex-ministro e ex-embaixador em Washington foi seu mentor e esteve ao seu lado durante a primeira campanha legislativa de Streeting, em 2015.
- Angela Rayner -
Angela, que até setembro do ano passado foi número dois do governo e ministra da Habitação, é uma figura popular da ala esquerda trabalhista.
A ascensão desta mulher de 46 anos, conhecida por sua franqueza, foi interrompida quando ela renunciou, em setembro, após admitir que não havia pago todos os impostos correspondentes à compra de um apartamento.
Mas ela anunciou na quinta-feira ter sido "exonerada de qualquer conduta indevida" nesse caso.
Ela indicou que não vai desafiar o primeiro-ministro, embora tenha acrescentado que Starmer deveria "refletir" sobre a renúncia.
Seus críticos acreditam que ela faria uma guinada à esquerda tão forte que obrigaria os trabalhistas a convocar eleições gerais antes da data prevista, em 2029.
- Andy Burnham -
Também da ala esquerda, o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, aparece como um dos principais rivais de Starmer, se conseguir obter uma cadeira no Parlamento, sem a qual não poderia se tornar primeiro-ministro.
Um deputado trabalhista de Makerfield, ao oeste de Manchester, anunciou na quinta-feira que renunciava a seu mandato, abrindo caminho para uma eleição legislativa parcial que poderia ser organizada em meados de junho, e à qual Burnham confirmou que apresentará candidatura.
Burnham, de 56 anos, já havia tentado assumir a liderança trabalhista em 2015, mas foi superado por Jeremy Corbyn.
Após conquistar a prefeitura da Grande Manchester em 2017, foi reeleito duas vezes desde então.
T.Hernandez--LGdM