Kevin Warsh retorna ao Fed com agenda reformista
Kevin Warsh, próximo presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed), retorna ao banco central com uma ambiciosa agenda reformista e sob a ameaça de ser intimidado por quem o indicou: o presidente Donald Trump.
O Senado confirmou nesta terça-feira (12), com 51 votos a favor e 45 contra, a nomeação de Warsh como membro do conselho de governadores do Fed, para um mandato de 14 anos.
No fim desta semana, o Senado fará uma nova votação para nomeá-lo presidente do Fed por quatro anos, em substituição a Jerome Powell, cujo mandato está prestes a terminar.
Aos 56 anos e natural de Nova York, Warsh já havia sido governador do Fed, mas deixou o cargo antecipadamente em 2011 devido a divergências com as políticas do banco central.
Warsh retorna num momento em que a instituição enfrenta pressões sem precedentes por parte do presidente Trump, que criticou duramente Powell por não reduzir as taxas de juros com rapidez.
A inflação nos Estados Unidos está em seu nível mais alto desde 2023, com 3,8% em doze meses até abril.
O novo governador tem se mostrado favorável à redução dos juros, apesar de o aumento dos preços ter superado a meta de inflação de longo prazo de 2% do Fed. O mercado de trabalho também tem dado sinais de fraqueza.
- De "falcão" a alinhado com Trump -
Entre 2006 e 2011, Warsh, formado em Stanford e em Harvard, integrou o conselho de governadores do Fed. Naquele momento, era reconhecido como um duro crítico da inflação.
Agora ele ocupará a vaga deixada por Stephen Miran, um aliado de Trump nomeado governador em setembro para completar o mandato de Adriana Kugler, que renunciou.
Em sua primeira passagem pelo Fed, quando o banco respondia à crise financeira de 2008, Warsh atuou como uma ponte de comunicação entre os responsáveis pela política monetária e os mercados financeiros, apesar de seu crescente ceticismo em relação às decisões da instituição.
Ele renunciou ao cargo de governador do Fed em 2011, anos antes do fim de seu mandato em 2018. No momento de sua saída, Warsh era visto como um "falcão", termo que descreve altos funcionários que dão preferência à estabilidade de preços e à baixa inflação.
Geralmente, isso é alcançado ao favorecer políticas monetárias mais rígidas e taxas de juros mais altas.
Com o passar dos anos, porém, ele assumiu uma postura mais crítica em relação ao Fed e posições mais alinhadas com Trump e seu governo.
Em um discurso no ano passado, afirmou que o Fed se afastou de sua missão, avançando para âmbitos políticos nos quais não tem experiência. Acusou a instituição de frear um crescimento maior da economia dos Estados Unidos.
Sua nomeação gerou dúvidas sobre a independência do banco. Durante sua audiência de confirmação, Warsh disse que "absolutamente não" seria um fantoche do presidente.
Em sua última coletiva de imprensa como presidente, Powell anunciou a decisão incomum de permanecer como governador. Ele falou sobre ameaças à independência do banco central e prometeu "manter um perfil discreto" durante a gestão de Warsh.
D.Torres--LGdM