Chefe da FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA, deixa o cargo
O chefe da FDA, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, deixou o cargo nesta terça-feira (12), uma saída anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, após semanas de agitação política em torno desta agência reguladora.
Durante seu mandato à frente desta entidade encarregada de supervisionar as vacinas, os medicamentos e a segurança alimentar, Makary conseguiu inquietar figuras do setor privado, da política e da saúde pública, ao mesmo tempo em que promulgou o que chamou de "cinquenta reformas", em suas próprias palavras.
"Marty é um sujeito extraordinário, vai seguir adiante", disse Trump a jornalistas antes de viajar para a China.
Cirurgião e ex-colaborador da Fox News, Makary causou comoção durante a pandemia de covid-19 ao criticar abertamente a classe médica e as medidas sanitárias extraordinárias adotadas na época.
Ele assumiu o comando da FDA prometendo reformas de grande envergadura.
"Estou extremamente orgulhoso de ter reduzido os prazos de revisão de medicamentos de um ano para 1-2 meses, de ter escrito novas pautas sobre produtos psicodélicos avançados", enumerou o especialista em sua mensagem de demissão, divulgada pelo presidente americano em sua plataforma, Truth Social.
Makary deixa o cargo depois de mais de um ano sofrendo críticas de todas as frentes, inclusive de empresários farmacêuticos, lobistas da indústria do tabaco e ativistas antiaborto.
O governo Trump implementa uma política de saúde pública que questiona a aplicação de vacinas infantis, como é feito há décadas.
Os conservadores contrários à pílula abortiva mifepristona acusavam Makary de ter demorado demais para concluir e emitir uma revisão do fármaco, que conta com a aprovação da FDA há 25 anos.
Enquanto isso, o governo Trump seguiu adiante com uma política que permite a venda de cigarros eletrônicos saborizados apesar da resistência de Makary, que tinha manifestado sua preocupação com a atratividade destes vaporizadores entre os jovens.
Grandes empresas farmacêuticas, que obtiveram lucros bilionários durante a pandemia de covid-19 e com medicamentos inovadores como os tratamentos contra a obesidade, criticaram as iniciativas de Makary e seus planos para reorganizar o processo de revisão de medicamentos e propor alternativas paramédicas para a população.
Líderes do setor da saúde pública, por sua vez, o acusaram de satisfazer os ativistas antivacinas depois que a FDA divulgou um memorando infundado apontando a ocorrência de mortes vinculadas à vacina contra a covid-19.
Sua saída do governo é a última de uma série de mudanças bruscas no Departamento de Saúde, supervisionado por Robert F. Kennedy Jr, um conhecido cético das vacinas.
A.Munoz--LGdM