Emissário de Trump apresenta 'ideias' a Putin para acabar com conflito na Ucrânia
O emissário dos Estados Unidos, Steve Witkoff, reuniu-se nesta quarta-feira (21), em São Petersburgo, com o presidente russo, Vladimir Putin, a quem apresentou uma série de "ideias" para um possível acordo de paz na Ucrânia.
No início do encontro, pouco depois das 09h00 GMT (06h00 no horário de Brasília), Witkoff afirmou ter levado "ideias" para um "acordo de paz" na Ucrânia, mais de quatro anos e meio após o início do conflito, em 2022, com a ofensiva russa em larga escala no país vizinho.
"Trouxemos documentos. São ideias para uma espécie de acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. O senhor poderá ler tudo isso com calma", disse Witkoff a Putin, em declarações transmitidas pela televisão estatal russa.
À margem da reunião, a Rússia anunciou a libertação de um cidadão americano e a iminente partida do primeiro navio carregado com diesel russo rumo aos Estados Unidos.
Steve Witkoff classificou Vladimir Putin como "humanista" após o anúncio da libertação de Stephen Hubbard, um professor de inglês aposentado de 75 anos. Hubbard foi condenado, em um julgamento a portas fechadas realizado em outubro de 2024, a quase sete anos de prisão por "atividades mercenárias" em favor da Ucrânia. Ele nega as acusações.
O presidente americano, Donald Trump, declarou esta semana que havia pedido à Rússia a libertação do detido e, nesta quarta-feira, anunciou que ele está "a caminho" dos Estados Unidos. A libertação ocorreu sem "contrapartida", assegurou.
O negociador americano também avaliou que a cooperação econômica entre Moscou e Washington ilustra "as possibilidades" que se apresentam para o futuro.
O primeiro navio petroleiro, carregando 40.000 toneladas de diesel russo com destino aos Estados Unidos, partirá em "dois ou três dias", informou Putin. O vice-primeiro-ministro, Alexander Novak, mencionou quinta-feira como a data de partida.
No início de outubro, Trump anunciou um acordo entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo. Esse levantamento de sanções contra a Rússia foi duramente criticado por Kiev e seus aliados.
Trata-se de uma tentativa de reduzir os preços dos combustíveis para os consumidores americanos antes das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro, pleito que se desenha difícil para Trump e os republicanos.
- Negociações "positivas" em Oslo -
A reunião de São Petersburgo ocorre em um momento complicado na relação entre Washington e Kiev, que considera que os Estados Unidos passaram a apoiar a Rússia.
A situação parece ter melhorado após a conversa, na terça-feira em Oslo, entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, Witkoff e o enviado americano Jared Kushner, que participou por videoconferência. Líderes noruegueses e finlandeses também participaram.
Ao final do encontro, Zelensky reivindicou ter voz em qualquer negociação sobre o futuro de seu país.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em visita à Índia, avaliou que as conversas foram "positivas". "Nada inesperado", mas "agora, com essas ideias, (Steve Witkoff) poderá ir a São Petersburgo e compartilhá-las com o lado russo", afirmou.
Uma autoridade americana declarou à AFP que as conversas foram "muito produtivas e construtivas" e que "agora existe uma grande convergência entre Estados Unidos, Ucrânia e Europa sobre os próximos passos".
Apesar dos esforços diplomáticos, os combates continuam no front, sem avanços significativos por parte de nenhum dos lados.
Y.Suarez--LGdM