La Gaceta De Mexico - Zelensky se reúne com emissários dos EUA em Oslo para retomar esforços diplomáticos

Zelensky se reúne com emissários dos EUA em Oslo para retomar esforços diplomáticos
Zelensky se reúne com emissários dos EUA em Oslo para retomar esforços diplomáticos / foto: © AFP

Zelensky se reúne com emissários dos EUA em Oslo para retomar esforços diplomáticos

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, está reunido nesta terça-feira (20), em Oslo, com emissários dos Estados Unidos, em uma tentativa de retomar os esforços diplomáticos, após acusar o governo de Donald Trump de atrasar, de propósito, a entrega de mísseis interceptadores indispensáveis para repelir os ataques russos.

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"A Ucrânia trabalha pela paz. Agradeço aos nossos aliados por seu apoio", declarou Zelensky nas redes sociais, em uma mensagem acompanhada de um vídeo gravado na residência oficial do governo norueguês, no qual aparece abraçando o emissário americano Steve Witkoff.

Em seguida, os dois posam ao lado do primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e do presidente da Finlândia, Alexander Stubb.

Mais cedo, Støre informou que Oslo sediaria as conversas entre Zelensky e os emissários americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, este último de forma remota. O presidente finlandês também participa.

Segundo o primeiro-ministro norueguês, o objetivo da reunião "é colocar os esforços diplomáticos nos trilhos, de uma maneira mais construtiva".

De acordo com uma foto da agência norueguesa NTB, Kushner participa da reunião de Oslo remotamente, devido a uma doença.

Zelensky, Støre e Stubb realizaram uma coletiva de imprensa por volta das 14h00 no horário de Brasília (19h no horário local).

As relações entre Kiev e Washington se deterioraram nas últimas semanas.

No início do mês, Trump chegou a um acordo com seu homólogo russo, Vladimir Putin, para o fornecimento de diesel ao mercado americano, visando aliviar o preço do combustível — uma questão delicada diante das eleições de meio de mandato de 3 de novembro nos Estados Unidos. A decisão irritou Kiev, que a interpreta como uma forma de recompensar o invasor.

Somam-se a isso, nos últimos dias, as acusações ucranianas de que os Estados Unidos estariam restringindo o fornecimento de recursos tecnológicos essenciais no campo de batalha, justamente em um momento de intensificação da campanha militar russa.

Na semana passada, Zelensky denunciou limitações no sistema de satélites Starshield, desenvolvido pela SpaceX, empresa de Elon Musk, e utilizado pelo Exército ucraniano para coordenar sua defesa antiaérea.

Na segunda-feira, ele também afirmou que a Ucrânia não recebeu alertas antecipados sobre os últimos ataques russos com mísseis contra instalações de energia na capital.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, com quem Zelensky conversou nesta terça-feira, rebateu tais acusações e afirmou que "nada está sendo negado à Ucrânia de forma deliberada". Ele sugeriu, de maneira velada, que se trata de uma questão de gestão de estoques.

Além disso, enfatizou que Trump está "frustrado" com as declarações de Zelensky. "Ele não gosta de ser culpado por coisas que não são verdadeiras, como a alegação de que, de alguma forma, ele teria ordenado a interrupção do fornecimento de informações de inteligência".

- Relações tensas -

A Ucrânia utiliza o Starshield para suas comunicações no campo de batalha, ataques de médio alcance em territórios ocupados pela Rússia e drones interceptadores. Também utiliza o Starlink, outra rede de satélites da SpaceX, para fins civis.

O presidente ucraniano denunciou na segunda-feira, diante de senadores americanos, que "o Pentágono está atrasando a entrega de mísseis já pagos" por países europeus para a Ucrânia.

Ele afirmou que os mísseis Patriot estão prontos e que "já poderiam estar na Ucrânia (...) mas, infelizmente, ainda não há aprovação". Segundo Zelensky, o lote aguarda a assinatura do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth.

O distanciamento entre Washington e Kiev se aprofundou ainda mais com a decisão de Trump de suspender parcialmente as sanções contra a Rússia para fechar um acordo de fornecimento de diesel com Putin.

Zelensky criticou duramente a iniciativa e advertiu Trump de que está se colocando do lado errado da história. Por sua vez, o presidente americano o criticou por continuar bombardeando refinarias de petróleo, acusando-o de alimentar o conflito.

"Zelensky não sabe do que está falando", disse Trump ao ser questionado sobre as declarações do ucraniano. "Para ser sincero, acho que chegou a hora de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia".

Segundo o veículo de comunicação Axios, Witkoff poderia viajar de Oslo à Rússia para se reunir com Putin, mas a Casa Branca ainda não confirmou a informação.

Enquanto isso, a guerra continua, e os ataques russos deixaram pelo menos sete mortos na região de Kiev e em Kramatorsk, importante cidade do leste da Ucrânia próxima à linha de frente, segundo as autoridades ucranianas.

Moscou intensifica os ataques contra infraestruturas de energia e transporte, enquanto Kiev advertiu que voltará a atacar refinarias russas para tentar privar Moscou das receitas utilizadas para financiar a guerra.

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B.Ramirez--LGdM