Rússia e Ucrânia confirmam trégua de 9 a 11 de maio mediada pelos EUA
A Rússia e a Ucrânia confirmaram um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos de três dias a partir deste sábado (9), quando Moscou comemora o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, bem como uma troca de 1.000 prisioneiros cada um.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em suas redes sociais que a Ucrânia e a Rússia tinham aceitado a trégua de 9, 10 e 11 de maio, e mostrou-se confiante de que será "o principio do fim de uma guerra muito longa, mortífera e difícil".
A invasão russa da Ucrânia, lançada em 2022 e já em seu quinto ano, causou centenas de milhares de mortos. É o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Em sua mensagem na plataforma Truth Social, Trump considerou que o desfecho da guerra estava "cada vez mais próximo". Esta semana, foram retomadas as conversas entre negociadores ucranianos e americanos na Flórida.
Esses diálogos tinham ficado em segundo plano desde o início da guerra no Oriente Médio no final de fevereiro.
Nesta sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse que esperava a chegada dos negociadores americanos à Ucrânia nas próximas semanas.
Pouco depois da publicação da mensagem de Trump, Zelensky ordenou ao exército não atacar o desfile previsto para o sábado na Praça Vermelha de Moscou para comemorar o triunfo soviético sobre a Alemanha nazista em 1945.
Uma alta fonte da Presidência ucraniana disse à AFP que Kiev "trocou a ausência de drones em Moscou amanhã [sábado] por mil prisioneiros de guerra".
A Ucrânia atuará como "um espelho" durante a trégua, acrescentou a fonte, que pediu anonimato.
Em Moscou, o Kremlin recebeu com satisfação a proposta de Trump, ao assinalar que era "importante" que coincidisse com a "sagrada" celebração russa.
A Rússia tinha ameaçado lançar um ataque maciço no coração de Kiev se a Ucrânia atrapalhasse o desfile de 9 de maio, data em que o país comemora a capitulação alemã em 1945.
Em Kiev, os moradores entrevistados na sexta-feira pela AFP minimizaram a ameaça russa.
"Nada de novo vai acontecer", disse um bancário de 40 anos.
- Ataques com drones -
Segundo a força aérea ucraniana, Moscou lançou 67 drones de longo alcance contra o país durante a noite.
A Rússia, por sua vez, garantiu nesta sexta que respondeu "de maneira simétrica" às "violações" da trégua por parte da Ucrânia.
A defesa aérea russa afirmou que interceptou 409 drones ucranianos desde que o seu cessar-fogo unilateral entrou em vigor.
Um drone lançado pela Ucrânia matou um homem de 41 anos e sua filha de 15 na parte ocupada pelos russos da região ucraniana de Kherson, anunciou a administração apoiada por Moscou.
Zelensky também exaltou os ataques de seu exército contra infraestruturas petrolíferas russas, incluindo um depósito perto de Moscou e uma refinaria na região dos Urais. Além disso, 13 aeroportos no sul da Rússia tiveram de fechar após um impacto em uma base de controle aéreo em Rostov do Don. Mais tarde, foi anunciado que os voos tinham sido retomados parcialmente.
O presidente russo, Vladimir Putin, convocou uma reunião do Conselho de Segurança da Federação da Rússia sobre esse ataque, que chamou de "ato de natureza terrorista".
Nas últimas semanas, o exército ucraniano, que reforçou suas capacidades em matéria de drones, intensificou sua ofensiva, atingindo alvos dentro da Rússia, a centenas de quilômetros da Ucrânia.
S.Ramos--LGdM