NFL toma conta do Maracanã, templo do futebol
Bernardo Candal, um fã brasileiro da NFL, observa admirado os 60 anéis dos campeões do Super Bowl expostos no Rio de Janeiro, onde a poderosa liga de futebol americano tomará conta do Maracanã, templo do futebol, neste domingo (27).
Pelo terceiro ano consecutivo, a NFL realizará um jogo de sua temporada regular no Brasil, desta vez com o Baltimore Ravens de Lamar Jackson e o Dallas Cowboys de Dak Prescott como protagonistas.
Será a primeira vez no Rio, depois de São Paulo ter recebido os dois anteriores.
A paixão pela NFL "começou a crescer de uns anos para cá", conta à AFP Candal, torcedor que tira fotos com a esposa e o bebê de três meses diante dos anéis e do troféu de campeão do Super Bowl em uma loja da liga inaugurada no Rio há algumas semanas.
Ele começou a acompanhar o esporte ao assistir pela televisão o Super Bowl de 2009, vencido pelo Pittsburgh Steelers.
"Me apaixonei", relata Candal, de 34 anos, que após aquele jogos escolheu os Steelers para torcer.
Com seu mercado gigantesco de mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil tem uma base de 36 milhões de fãs da NFL, estima a própria liga.
"A gente também joga", diz uma mensagem em uma das camisetas à venda na loja no Rio.
O jogo, para o qual ambas as equipes chegam com um retrospecto de 1-1, começará às 17h25 (horário de Brasília). Ricky Martin e Pedro Sampaio comandam as atrações do show do intervalo.
- Uma "cultura" diferente -
Com capacidade para mais de 78 mil espectadores, o Maracanã foi palco de eventos históricos, como a partida decisiva da Copa do Mundo de 1950 vencida pelo Uruguai contra o Brasil, o milésimo gol de Pelé e a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016.
"Mal posso esperar para vê-los lá! Lotem o estádio e o façam tremer", disse o kicker dos Cowboys, Brandon Aubrey, em um vídeo gravado ao lado de Prescott e divulgado nas redes sociais.
Muito antes de se tornar um astro da NFL, Aubrey jogava futebol e visitou o Brasil quando integrava uma academia de futebol nos Estados Unidos.
"Eu tinha dez ou 12 anos e treinei no São Paulo. Todo o meu clube esteve lá, passamos umas duas semanas", relembrou ele à imprensa americana.
Aubrey, que chegou a ser selecionado no draft da MLS de 2017 pelo Toronto FC, joga na NFL desde 2023.
"Como o Brasil é um país de futebol, ainda tem muita resistência", mas "fã de um esporte que não é da cultura dele torce mais que os outros", diz à AFP Pedro Henrique Carvalho, responsável de comunicação da One Project, empresa que faz o marketing da NFL no Brasil.
- "Negócios" -
O "boom" coincide com a aposta da NFL na globalização.
Melbourne foi a primeira parada da turnê internacional da liga deste ano e, depois do Rio, suas estrelas passarão por Londres, Paris, Munique, Madri e Cidade do México.
Lamar Jackson, duas vezes eleito o Jogador Mais Valioso (2019 e 2023), já jogou no exterior.
Em 2023, em Londres, no estádio do Tottenham, o quarterback dos Ravens liderou a vitória da equipe sobre o Tennessee Titans (24-16), com um touchdown e 21 passes completos em 30 tentativas, totalizando 223 jardas.
"Estou empolgado", disse Jackson, embora tenha ressaltado que a viagem ao Rio "é uma viagem de negócios". "Não se trata de ir para se divertir ou fazer turismo".
- Críticas ao gramado -
O jogo da NFL acontece em meio aos questionamentos sobre as condições do gramado do Maracanã, casa de Flamengo e Fluminense, semifinalistas da Copa Libertadores.
O Rio sofreu com fortes chuvas nas últimas semanas, embora o gramado do Maracanã venha sendo alvo de críticas há algum tempo.
O técnico dos Cowboys, Brian Schottenheimer, espera que tudo esteja pronto: "Não tenho nenhuma preocupação (...) Teremos um campo em condições adequadas".
De qualquer forma, há "planos de contingência", como a opção de os jogadores usarem chuteiras com maior tração.
H.Jimenez--LGdM