Expulsos dos EUA para Guiné Equatorial enfrentam violência e intimidação policial
Policiais encapuzados invadiram o quarto de hotel de Ahmed Soliman, um egípcio expulso dos Estados Unidos e enviado à Guiné Equatorial, e o arrastaram para fora junto com cerca de 20 outros deportados. Armados, advertiram: "Voltem para o seu país".
"Alguns policiais me puxavam pelo pescoço, tentavam me jogar no chão, outros me davam cotoveladas nas costas", contou à AFP Soliman, de 30 anos, sobre o episódio ocorrido há duas semanas.
As autoridades da Guiné Equatorial intensificam a pressão sobre os expulsos mantidos em um hotel de Malabo, que se transformou em um local de confinamento para imigrantes deportados dos Estados Unidos.
O país da África Central tornou-se um ponto de trânsito na política migratória do presidente americano, Donald Trump, que envia para "terceiros países" pessoas que os Estados Unidos não podem legalmente devolver a seus países de origem.
Desde novembro, Washington expulsou pelo menos 50 pessoas para a Guiné Equatorial, a maioria africanos. Vinte e sete continuam no hotel.
- "Tentam intimidar você" -
Vários expulsos disseram à AFP que sofrem pressão, violência verbal e física para retornar a seus países de origem. Um advogado local confirmou as pressões.
"Sempre que reivindicamos nossos direitos, eles dizem: 'Se você não gosta, volte para o seu país'", contou Soliman, que vivia nos Estados Unidos desde os três anos e teme retornar ao Egito, seu país natal, por ser homossexual.
Os expulsos não podem solicitar asilo na Guiné Equatorial e afirmam que não podem partir porque temem por suas vidas em seus países de origem e já não possuem passaportes.
Petagaye, jamaicana de 35 anos que chegou em junho, relata ameaças "todos os dias".
"Eles dizem: 'Você tem que voltar para o seu país', ou: 'Vá se matar, porque os Estados Unidos não se importam com você'".
"Eles tentam intimidar você", afirmou outro deportado, identificado pelo pseudônimo de Him, um eritreu que obteve status de refugiado nos Estados Unidos aos 13 anos.
Nem o Departamento de Estado americano nem o ministro da Segurança Nacional da Guiné Equatorial responderam aos pedidos de comentários da AFP.
- Proteção contra expulsão -
Em julho, os deportados entraram em pânico quando um guarda anunciou que um paciente com ebola estava hospedado no hotel. Vídeos enviados à AFP mostravam homens com trajes de proteção no edifício, mas a Guiné Equatorial não notificou nenhum caso da doença.
As três pessoas entrevistadas pela AFP viviam nos Estados Unidos desde a infância e haviam obtido medidas de proteção que impediam sua devolução aos países de origem porque suas vidas correriam perigo.
O governo Trump sustenta que pode expulsá-las desde que não as envie aos países de origem.
Em junho, uma ação foi apresentada à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos para tentar interromper as expulsões americanas para a Guiné Equatorial.
As deportações, porém, continuam: outras dez pessoas chegaram a Malabo em 30 de julho.
F.Deloera--LGdM