Leão XIV, o americano reservado que começa a afirmar seu estilo
Prudente e conciliador, o papa Leão XIV está gradualmente imprimindo seu estilo à frente da Igreja Católica e fazendo-se ouvir sobre os problemas mais urgentes do mundo, como guerras e a inteligência artificial.
Quando foi eleito líder dos 1,4 bilhão de católicos em maio de 2025, Robert Francis Prevost já contava com mais de duas décadas de experiência como missionário no Peru, além de conhecer em primeira mão o Vaticano e a Cúria Romana.
Após um ano e meio no cargo, o caráter e as prioridades desse nativo de Chicago tornaram-se mais nítidos.
Durante esse período, ele não hesitou em intervir em questões espinhosas, como o apelo pelo desenvolvimento responsável da IA e das tecnologias emergentes, a defesa dos migrantes e o envio de uma mensagem de paz, apesar dos ataques que recebeu do presidente de seu país, Donald Trump.
- "Figura de resistência" -
Os hobbies de Leão XIV — tênis, natação e seu amado White Sox, o time de beisebol de Chicago — refletem sua abordagem descontraída em relação ao mundo moderno: ele usa um relógio inteligente sob a batina e até já fez o gesto viral de 6-7 na frente de adolescentes.
O 267º papa, que possui cidadania americana e peruana, busca, acima de tudo, ancorar seu pontificado nas grandes transformações da sociedade contemporânea.
Sua primeira encíclica, publicada em maio, defendeu o uso da inteligência artificial a serviço da dignidade humana, um alerta que repercutiu muito além dos círculos católicos.
"Ele é um cientista, um matemático, alguém que costumava consertar carros e computadores. Com a encíclica 'Magnifica Humanitas', ele realmente se engaja com os problemas do nosso tempo, especialmente aqueles relacionados à tecnologia", disse à AFP Veronique Lecaros, autora de "Léon XIV, portrait d'un pape péruvien" ("Leão XIV, retrato de um papa peruano", em tradução livre).
No cenário internacional, ele tem continuado a busca de seu antecessor Francisco pela paz.
A Santa Sé ofereceu-se para mediar o conflito entre Moscou e Kiev, embora tenha adotado um tom mais incisivo em relação à invasão russa do país vizinho.
Além disso, a oposição de Leão a Trump "contribui para a sua popularidade", observou Charles Mercier, diretor de estudos da École Pratique des Hautes Études, em Paris. "Isso o torna uma figura de resistência contra o perigo do populismo autoritário", afirmou.
- Americano "por acaso" -
Nascido em 14 de setembro de 1955, o caçula de três irmãos costumava brincar de padre, distribuindo doces para as crianças da vizinhança como se fossem hóstias consagradas.
Ordenado padre em 1982, ingressou na Ordem de Santo Agostinho, tornando-se seu superior de 2001 a 2013, cargo que lhe permitiu viajar o mundo visitando comunidades agostinianas.
Em 1985, juntou-se aos agostinianos no Peru para a primeira de suas missões naquele país andino, onde criou laços estreitos com a população local.
Mais tarde, foi nomeado administrador apostólico da diocese de sua "amada" Chiclayo, como a chamou em seu primeiro discurso como papa.
Quando Francisco o nomeou cardeal em 2023, o então arcebispo Prevost estava à frente do poderoso Dicastério para os Bispos, um importante departamento do Vaticano que assessora o papa em nomeações.
Na Cúria Romana, ele ganhou reputação como um mediador habilidoso e um construtor de pontes entre vozes progressistas e conservadoras.
Leão foi descrito como "o menos americano dos americanos".
"Eu me considero mais como o papa que é americano por acaso. Isso não diminui o que significa ser americano", declarou o líder católico ao ser questionado sobre a importância de sua nacionalidade.
S.Moreno--LGdM