La Gaceta De Mexico - Itália suspende livre circulação com Espanha após onda migratória em Ceuta

Itália suspende livre circulação com Espanha após onda migratória em Ceuta
Itália suspende livre circulação com Espanha após onda migratória em Ceuta / foto: © AFP

Itália suspende livre circulação com Espanha após onda migratória em Ceuta

A chegada de cerca de 60 mil migrantes do Marrocos ao enclave espanhol de Ceuta, que Madri considerou um "ataque" à sua integridade territorial, provocou uma crise na União Europeia nesta sexta-feira (31), ao ponto de a Itália fechar temporariamente seu espaço de livre circulação com a Espanha.

Tamanho do texto:

Ao menos 34 pessoas morreram na tentativa de chegar ao enclave, segundo o governo local. Desde o começo da semana, centenas de pessoas começaram a chegar a Ceuta, tanto a nado quanto pulando as cercas instaladas na fronteira, em sua maioria homens jovens e adolescentes.

Mas, a partir da madrugada de quinta-feira, e em apenas algumas horas, a maré humana se multiplicou até chegar a cerca de 60 mil pessoas. Segundo o governo espanhol, a grande maioria delas (cerca de 48 mil) já tinha retornado ao Marrocos.

Trata-se de uma das piores crises nos últimos anos nesta cidade autônoma de 84 mil habitantes.

Vários países europeus reagiram com firmeza diante desta crise migratória, a começar pela Itália, que anunciou a suspensão temporária do acordo de livre circulação (tratado Schengen) com a Espanha, com o apoio da Finlândia e da Dinamarca.

"A suspensão temporária de Schengen é uma decisão necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras da Europa", escreveu o ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, no X.

No entanto, o alcance da medida não está clara e juristas consultados pela AFP asseguraram que não é possível aplicá-la sob o marco legal vigente.

Em Washington, o presidente americano, Donald Trump, qualificou as imagens como "terríveis". "Assim estaremos nós dentro de três anos se o lado errado vencer", disse à Fox News a meses das eleições de meio de mandato, em novembro, para as quais as pesquisas apontam vantagem dos democratas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou sua "solidariedade" com a Espanha, enquanto o governo anunciou que multiplicará por cinco o efetivo policial na fronteira com a Espanha.

"Não é tempo de dividir, é tempo de seguir construindo uma UE forte e unida", reagiu o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, em resposta às críticas, em mensagem no X na qual lembrou que há outros pontos da União Europeia por onde imigrantes entram de forma ilegal.

"Senti medo desde o começo. A sensação é como na pandemia, que é melhor ficar trancada em casa do que do lado de fora", disse à AFP Yolanda Moreno, de 56 anos.

"Se você sai para ajudar, atrapalha o pessoal da polícia ou da Guarda Civil, mas se fica em casa, o nervosismo te consome por dentro", acrescentou.

Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma, lamentou o que chamou de uma resposta "tardia e insuficiente" do governo central e afirmou que "suportar essa pressão é absolutamente impossível".

Nas ruas de Ceuta, um território de 18,5 km², os comércios estavam fechados, e a confederação empresarial local recomendou mantê-los desta forma "até que a segurança esteja garantida".

Uma jornalista da AFP viu policiais ameaçando migrantes com cassetetes, indicando o caminho em direção à fronteira com o Marrocos. "Vão embora!", disse um dos agentes a um pequeno grupo no Paseo del Revellín, no centro da cidade.

Também nesta sexta-feira, centenas de moradores de Ceuta protestaram em frente à Prefeitura sob o lema "Ceuta unida jamais será vencida!".

Alguns gritavam "Vamos para cima deles!" e insultavam o primeiro-ministro espanhol, que chegou na manhã desta sexta-feira ao enclave.

- Crise diplomática -

Em Castillejos, cidade marroquina muito próxima a Ceuta, Abdelhakim contou à AFP ter caminhado 14 km pelas montanhas para chegar ao território espanhol, mas não conseguiu entrar.

"Disseram para passarmos pelo mar. Mas eu me vi completamente submerso e vi dois jovens (...) morrerem diante dos meus olhos", disse. "Então voltei atrás e me lembrei que tenho dois filhos".

O episódio remete a maio de 2021, quando mais de dez mil pessoas cruzaram a fronteira em dois dias, aproveitando uma flexibilização dos controles por Rabat durante uma disputa diplomática com Madri.

A crise ocorre após a visita de Sánchez à Argélia, em 20 de julho, a primeira em quatro anos de um primeiro-ministro espanhol, depois de um período de tensões diplomáticas entre os dois países.

S.Moreno--LGdM