Policiais e manifestantes entram em confronto na Bolívia
Policiais e manifestantes rurais entraram em confronto no domingo (21) na região de Cochabamba, centro da Bolívia e reduto do ex-presidente opositor Evo Morales, após o estado de exceção decretado pelo governo de Rodrigo Paz.
O presidente de centro-direita, de 59 anos, adotou a medida no sábado para proibir os protestos e os bloqueios de rodovias que começaram há sete semanas por parte de sindicatos de operários e trabalhadores rurais que exigiam soluções para a crise econômica e para a venda de gasolina de má qualidade.
Até o decreto de emergência, o país registrava quase 50 bloqueios rodoviários, mas no domingo havia 12 em Cochabamba, iniciados por aliados de Morales. Várias organizações assinaram acordos com a presidência.
A pequena localidade de Llavini registrou os primeiros incidentes desde a entrada em vigor do estado de exceção.
Dezenas de policiais foram enviados ao local para liberar a rodovia que liga as cidades de La Paz e El Alto, que enfrentam uma grave escassez de combustíveis, alimentos e remédios. Centenas de caminhões com gasolina e diesel começaram a chegar às duas cidades.
Os policiais liberaram a rodovia e os manifestantes tentaram retomar o protesto, mas as forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo.
O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, informou que as rotas para o Chile e o Peru "estão desimpedidas", após um trabalho de desbloqueio e limpeza de escombros realizado por policiais e militares, com apoio de escavadeiras.
A rápida restauração do trânsito de passageiros e cargas provocou alívio na população.
Paz conseguiu na sexta-feira um acordo com a majoritária Central Operária Boliviana, enquanto trabalhadores rurais do sindicato Túpac Katari anunciaram uma reunião para esta segunda-feira (22) e seus filiados abandonaram os protestos. Apenas os aliados de Morales prosseguem com as manifestações.
Paz recebeu um forte apoio político dos Estados Unidos e de governos conservadores da região. Além disso, no domingo, o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, manifestou apoio ao mandatário, após uma reunião no Panamá com o chanceler boliviano, Fernando Aramayo.
O governo boliviano acusa Morales de liderar os protestos, de receber apoio financeiro do narcotráfico, sem apresentar provas, e não descarta sua detenção.
Morales, escondido em seu bastião do Chapare para evitar uma ordem de detenção pelo caso de tráfico de uma menor, afirmou em uma entrevista a uma rádio local que "tentam envolvê-lo" com o tráfico de drogas "por orientação dos Estados Unidos".
Evo Morales disse que não descarta sua prisão e que Paz o entregue a Washington.
T.Hernandez--LGdM