Empresários e sindicatos suíços se unem contra proposta de limitar a imigração
Empresários e sindicatos suíços estão se mobilizando antes de uma votação prevista para domingo (14) sobre a limitação da imigração, que despertou temores de graves repercussões para o emprego e para as relações comerciais com a União Europeia (UE).
A votação se concentrará em uma proposta do Partido Popular Suíço (SVP), de extrema direita, cujo objetivo é manter a população dessa rica nação alpina - atualmente de 9,1 milhões de habitantes - abaixo dos 10 milhões até 2050.
O SVP, principal força política do país, sustenta que a iniciativa, intitulada "Não a uma Suíça de 10 milhões!", é necessária para combater uma imigração "fora de controle", à qual atribui problemas que vão de trens lotados ao aumento vertiginoso dos aluguéis e à expansão urbana desordenada.
A iniciativa enfrenta ampla oposição do governo, do Parlamento e do setor empresarial, mas pesquisas de opinião sugerem que a votação pode ser apertada.
As principais organizações patronais e sindicais a apelidaram de "iniciativa do caos".
Elas alertam que a medida pode comprometer a prosperidade da Suíça, onde amplos setores da economia - da pesquisa médica à construção civil, passando pelo turismo e pela saúde - dependem fortemente de mão de obra estrangeira.
Também há receio de que a iniciativa coloque em risco importantes acordos que vinculam a Suíça à UE, seu principal parceiro comercial, incluindo o "acordo de livre circulação de pessoas" de 1999.
No ano passado, mais da metade das exportações suíças teve como destino a União Europeia, somando mais de 147 bilhões de francos suíços, equivalentes a 185 bilhões de dólares (R$ 1,03 trilhão).
O SVP minimizou as preocupações, destacando que sua proposta inclui cotas que permitem a entrada de cerca de 40 mil pessoas por ano no país.
Os sindicatos manifestaram preocupação de que a pressão leve empresas a transferirem suas operações para outros países, provocando perda de empregos na Suíça.
O maior sindicato do país, o Unia, também advertiu que a iniciativa enfraqueceria as proteções trabalhistas, eliminaria normas que proíbem a discriminação entre trabalhadores residentes e estrangeiros e "escancararia a porta para o dumping (concorrência desleal) salarial".
A "campanha xenofóbica" do SVP exercerá "pressão sobre os salários de todos os trabalhadores do país", acrescentou.
M.Aguilar--LGdM