Influente ex-primeiro-ministro tailandês deixará prisão em maio
O ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, figura-chave na política do país nas últimas duas décadas e condenado por corrupção, deverá ser libertado no próximo mês, anunciou a administração penitenciária nesta quarta-feira (29).
Ao longo dos últimos 20 anos, o magnata das telecomunicações emergiu como um rival ferrenho da elite tailandesa, grupo aliado aos militares e à monarquia, que o via como uma ameaça à ordem tradicional deste reino do sudeste asiático.
Seu partido, o Pheu Thai, foi a força política de maior sucesso na Tailândia neste século; além disso, sua família, os Shinawatra, teve quatro primeiros-ministros nos últimos anos e desfrutou de amplo apoio entre a população rural.
Preso desde setembro, o ex-líder tem sua libertação prevista para o dia 11 de maio. Ele "deverá cumprir todas as condições" até a conclusão de sua pena de um ano, incluindo o uso de um dispositivo de monitoramento eletrônico, observou o departamento penitenciário.
Thaksin atuou como primeiro-ministro de 2001 a 2006, mas exilou-se após um golpe militar interromper seu segundo mandato. Só retornou ao seu país em 2023, quando foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e abuso de poder.
Em vez de ir para a prisão, ele foi internado em um quarto particular em um hospital e sua pena foi reduzida para um ano por um indulto real.
No entanto, em setembro, a Suprema Corte decidiu que o tempo passado no hospital não deveria ser descontado de sua pena e ordenou que ele cumprisse o restante de seu período de um ano na prisão.
O departamento penitenciário explicou que a idade do político, 76 anos, e o fato de lhe restar menos de um ano de pena influenciaram a decisão de libertá-lo.
Essa medida ocorre em um momento delicado para seu partido, o Pheu Thai, que sofreu seu pior resultado eleitoral da história nas eleições realizadas em fevereiro.
Apesar disso, o partido se juntou à coalizão governista liderada pelo primeiro-ministro conservador Anutin Charnvirakul, o que deixa em aberto a possibilidade de um retorno à política para o ex-líder.
D.F. Felan--LGdM