Macron visita área devastada por grande incêndio no sudoeste da França
O presidente Emmanuel Macron viaja nesta segunda-feira (27) ao sudoeste da França, onde um grande incêndio obrigou a fuga de 220.000 pessoas, no momento em que as autoridades temem que a situação piore com a chegada de uma nova onda de calor.
O incêndio nas imediações de Bordeaux, um dos piores do país desde a Segunda Guerra Mundial, já destruiu 42.000 hectares, embora tenha sido decretada uma trégua na noite desta segunda-feira.
O fogo "não avançou durante a noite", mas ainda "não está estabilizado", indicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, que pediu "prudência", às vésperas de uma nova onda de calor a partir de terça-feira, com temperaturas superiores a 40 ºC na França.
A União Europeia anunciou um reforço de seu dispositivo de ajuda para combater incêndios no país, que passará a contar com nove aviões e dois helicópteros. "É uma corrida contra o tempo", declarou à AFP a comissária europeia de Gestão de Crises, Hadja Lahbib.
Como demonstração da gravidade da situação, Macron convocou uma reunião de crise com membros de seu governo, antes de viajar à tarde para a área do incêndio, a fim de apoiar as forças mobilizadas e as autoridades locais, informou seu gabinete.
Os cidadãos também estão mobilizados, desde agricultores que ajudam os bombeiros a combater o fogo com seus tratores até pessoas que recebem deslocados em suas casas nas áreas do incêndio.
- Verão "muito complicado" -
Após vários dias de avanço ininterrupto, o retorno de uma chuva leve e do orvalho da manhã deram um pouco de fôlego aos bombeiros, que não baixam a guarda diante da onda de calor prevista, com ventos menos fortes, porém, mais secos.
"Estão reunidas todas as condições para uma reativação do incêndio", disse à AFP Philippe de Gonneville, prefeito de Lège-Cap Ferret, cujo município foi atingido desde o início das chamas.
Na rodovia que liga a cidade a Saint-Jean-d'Illac, dezenas de quilômetros de floresta foram destruídos.
Segundo as autoridades, o incêndio destruiu 240 residências. As chamas não provocaram vítimas civis, mas cerca de 80 bombeiros ficaram feridos. Aproximadamente 13.000 empresas foram evacuadas e os acampamentos de verão para crianças foram cancelados, em plena alta temporada.
Os bombeiros não conseguiram estabilizar outro incêndio ao sul de Bordeaux, na altura de Biscarrosse, que devastou 3.600 hectares e forçou a fuga de 30.000 pessoas, das quais 8.000 foram autorizadas a retornar para suas casas.
Os bombeiros franceses também lutam contra incêndios no departamento de Var, perto de Marselha, onde 2.000 pessoas abandonaram suas residências, assim como na turística ilha da Córsega e nos Alpes.
As florestas sofrem incêndios com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus estão muito secos há meses, um fenômeno agravado pela mudança climática e pelas recentes ondas de calor excepcionais.
Desde o início do ano, as chamas já devastaram 116.000 hectares na França e "a temporada está longe de ter terminado", advertiu Nuñez, que espera um final de verão "muito complicado".
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P.Gomez--LGdM